Crivella deseja cassino no Rio, mas bancada evangélica é contra


O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), pretende autorizar a criação de cassinos na cidade. Ele enxerga nas casas de jogos de apostas um meio de gerar renda para o estado e consequentemente para o Brasil, atraindo investimentos externos e gerando empregos para a população.

Segundo a equipe econômica do prefeito, com os cassinos o turismo poderia injetar R$ 27 bilhões por ano apenas no estado do Rio de Janeiro, enquanto no Brasil a receita chegaria a R$ 58 bilhões em tributos.

“Agora, você pergunta: mas você é evangélico… Sou prefeito da cidade. Quem acha que é pecado, não joga”, disse o bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, sobrinho de Edir Macedo, o fundador da denominação e proprietário da rede Record.

A intenção de Crivella quanto aos cassinos, no entanto, encontra dificuldade de seguir adiante porque os jogos de azar não são permitidos no Brasil.

Para tanto, seria necessário aprovar pelo menos um dos projetos de lei que tramitam no Congresso, sendo um de 1991, na Câmara dos Deputados, e outro de 2014, no Senado Federal. Ambos visam regulamentar a prática no país.

Entretanto, membros da bancada evangélica no Congresso discordam do prefeito Crivella, alegando que os cassinos não devem ser aprovados pelos cristãos. “Somos totalmente contra, sem possibilidade de negociação”, diz o deputado Marco Feliciano (Pode-SP).

“A jogatina leva ao vício, e o vício destrói famílias. O Estado não pode ser sócio disso. Dizem que aquece a economia. Qual o preço de uma família destruída?”, acrescentou o parlamentar, que possui trânsito livre no Palácio do Planalto, junto ao presidente Jair Bolsonaro.

O próprio chefe do Executivo também é contra a proposta, mas deixou transparecer a possibilidade de diálogo. Durante a campanha presidencial em 2018, Bolsonaro sinalizou um “quem sabe?”: “Há a possibilidade, eu digo uma possibilidade, de jogar para cada estado decidir. Em princípio sou contra, mas vamos ver qual a melhor saída”, afirmou.

A própria Igreja Universal do Reino de Deus também já se manifestou contra a ideia dos cassinos no país. Em uma publicação chamada “Uma Aposta Furada”, feita em 2017 em seu jornal, a IURD condenou a prática e citou a seguinte passagem bíblica de Provérbios 6:6-9:

“Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio. Não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante, no estio, prepara o seu pão, na sega, ajunta o seu mantimento. Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado?”.

Por fim, até a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) também condena a existência dos cassinos no Brasil, reforçando ainda mais a posição da comunidade evangélica, onde essa ideia é vista praticamente como inegociável.

“Os cassinos podem facilmente transformar-se em instrumentos para que recursos provenientes de atividades criminosas assumam o aspecto de lucros e receitas legítimas”, disse uma nota da CNBB. Com informações: Jornal do Brasil.





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